A política brasileira, deste que a ditadura acabou, evoluiu a um ponto que hoje, ela está segregada em bancadas. Tem a bancada ruralista, que basicamente quer mais terras pra os fazendeiros. Tem a bancada evangélica, que quer basicamente acabar com o "mal homossexual". Tem a bancada operária, que basicamente quer o socialismo. Tem a bancada ambiental, que quer que tudo seja sustentável. Tem a bancada industrial, que quer menos impostos, e mais incentivos do governo pra abrir mais indústrias. E tem a bancada do governo, que quer se manter no poder de todo jeito (Taí a PEC 37 que não me deixa mentir). Um problema dessas bancadas é que todas querem prioridade nas discussões e, obviamente, querem puxar todas as sardinhas pro seu lado. E com isso, discussões de minorias viram a pauta principal. Com a prioridade, vem a linearidade das discussões, ou seja, com tudo com prioridade máxima e o governo só querendo atender uma por vez, cria-se uma lista de projetos onde, de tempos em tempos, o primeiro lugar pode ser trocado por algum motivo.
O sistema de bancadas acaba criando hierarquias nos estados e municípios, de forma que está enraizado em todas as esferas de governo. E a principal consequência disso é que os governantes acabam priorizando as minorias, em vez de criar ações para toda a população, E na população, estão inseridas as raças, opções sexuais, religiosas e tantas outras segregações que estamos acostumados a fazer desde que o mundo é mundo. Ações para a maioria significam educação, segurança, transportes, saúde e moradia. O resto, depende de cada um de nós. Uma pessoa com um bom emprego é aquela que tem conhecimento, boa saúde, moradia confortável e segura pra ele e sua família e boas condições de se locomover pela cidade pra onde ele quiser, com conforto e segurança, porque assim ele pode trabalhar com mais foco e a empresa lucra mais. Estas ações que beneficiam a todos são o que tornam países evoluídos.
Aqui no Brasil, os políticos só beneficiam as maiorias em época de eleição, com obras, que são a melhor forma de mostrar pra alguém: "Foi no meu governo que isso foi construído". Mais precisamente, os benefícios só ocorrem no período de 2 anos. Ou seja, começa no segundo semestre do ano anterior a eleição e termina no final do primeiro semestre do ano seguinte à eleição. Fora disso, é administrar o que já tem. O PT inovou no seu governo ao tirar o povo da miséria, mas não deu condições pra que ele caminhasse sozinho (Taí as bolsas e mais bolsas e a confusão com o boato que dizia o fim do bolsa família que não me deixam mentir). Claro que existem exceções, mas no geral o povo ainda depende do Bolsa Família (e outros programas) pra sobreviver e isso é compra de voto. É coronelismo disfarçado. "Para manter os programas do governo e tirar mais pessoas da miséria, preciso do seu voto". Nos acostumamos a este modo de fazer política e caminhamos todos esses anos em um estado quase letárgico. O governo fazia o que queria, o povo aceitava e não elegia ninguém relevante pra mudar alguma coisa, nem que fosse pra pior.
Mas agora saturou geral.
E é por tudo isso, que o ato de ontem não foi só por 20 centavos. E foi por isso que o Gigante despertou.
As manifestações (pacíficas) e de caráter não-eleitoral podem até ter começado com o movimento passe-livre (que é partidário), mas ontem provou ser mais que isso. É um começo de uma nova maneira de enxergar o país, onde todo mundo passou a olhar para o coletivo. Ontem, um homossesual protestou ao lado de um heterossexual e os dois não saíram na porrada. Um empresário protestou ao lado de um operário e os dois não ficaram discutindo sobre aumentos salariais e melhores condições de trabalho. Ontem, as minorias unidas formaram a maioria e tratou de assuntos que interferem diretamente na vida de todos. Não foi partidário, foi popular e democrático.
Agora, não adianta protestar contra a Copa, por ela vai acontecer. Contra o roubo que foi feito, porque ele já foi feito. É a mesma coisa de chorar pelo leite derramado. Não façam isso. Querem protestar contra a Copa? VOTEM DIREITO. ELEJAM PESSOAS SÉRIAS E QUE ESTEJAM COMPROMETIDAS COM A MAIORIA. Se isso não acontecer, tudo que foi feito para os atos de ontem e os outros que vão ocorrer (Alô Recife :D) não terá servido de NADA. Os políticos só vão rir da cara do povo e seremos merecedores do slogan "País de tolos".
As outras discussões são importantes também (óbvio), e devem ser discutidas. Aí o
bom senso entra na jogada. O Brasil está muito atrasado naquelas "ações para a maioria".
Precisamos ter paciência e julgar com sabedoria o que é mais prioritário. O
paralelismo das ações pode ajudar, mas o Congresso é um só e as votações
têm ordem.
Não sou de politicagens nem de ações políticas, mas me senti no direito de expressar minha opinião como brasileiro, pernambucano e recifense para aqueles que ainda são contra o que está acontecendo por aqui.
Muito obrigado pela paciência de acessar este post e ler a minha humilde e inválida opinião até o fim.
Inté, e viva o Brasil!